Thursday, 10 July 2008

formigas

Hello,

As you know the people came from the council yesterday about the ants.They have left a notice in the kitchen about what you have to do. They asked me to point a few things out about the treatment. It will only work if you cover ALL the food, there must be nothing for them to eat at all. This includes even the crumbs in the toaster which they said needed cleaning out. I did that but it needs to be emptied every time its used so there are no crumbs left. The food in the cupboards needs to be air tight. If possible in Tupperware containers.They even said that food left out in a bowl needs to stand in a larger dish filled with water to create a moat a round the food so they can not cross it !!! that is what is needed to get rid of them. Also the packets of poisoned food on the walls near the ceiling need to be replaced if they empty them. They said that if they are emptied, then take the ones on the base of the units in the kitchen, and put them on the wall. As that is where they are most likely to be coming from.It may take from two to six weeks for them to take all the food, but they will only take it if they do not have anything else to eat.So can you please watch the levels and move them if necessary. If the food is all taken before the six weeks is up, let me know so I can arrange a second visit and they can relay more poison.If not then I will call them for the second visit in six weeks time. Also do not kill any ants, they must survive to go back to the colony, so they have to be left alone.

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tudo porque apareceram umas poucas formiguinhas!

Monday, 7 July 2008

bronquinha

Reclamo do tempo que me sobra, mas no fundo faz tempo que não me sinto tão bem. Até a falta de grana me é positiva. Procuro alternativas, vejo lugares em que não entraria, pesquiso as esquinas da Cidade escondida, torno-me um intruso num mundo que não é meu.

Tempo de sobra e falta de dinheiro é uma combinação que inspira. Desde que a geladeira esteja sempre bem estocada, claro!

Sunday, 6 July 2008

desmoronamentos

Confesso que desisti de brigar comigo mesmo. E já não sei os caminhos. Esse desmoronamento de tempo é algo peculiar e estranho. Horas passam enquanto escrevo coisas que nunca hão de se completar. Roteiros de filmes, crônicas, poesias de bar, contos. A Cidade acontece lá fora, fico no meu quarto, contando os centavos, sem um puto.

Não quero mais fazer nada daquilo. Liguei para casa para pedir dinheiro e isso significa que o resto de orgulho que um dia tive se esvaiu. Após quase quatro anos, me resta um pouco de força para terminar o mestrado e resgatar a mim. Andar pela Hoxton Square num sábado a tarde, sem as tuas mãos para segurar, e ainda assim respirar este alguém que eu só agora entendo que nunca desaprenderei a ser.

Cresce em mim um sentimento absurdo de crueldade com o mundo, preciso repetir. Uma exatidão de sentenças construídas no ar que encaixo com força nos espaços vazios displicentementes deixados por vocês todos, no seu disco arranhado e antiquado. Quero escrever sobre as minhas dores. Mas temo não saber expressá-las, como se o papel nunca contivesse linhas suficientes para esclarecê-las, seus motivos mais essenciais. Rascunhos se atiram suicidas nas latas de lixo.

Logo agora que tenho tanto tempo e nenhum centavo, vejo-me obrigado a escrever. Mas então, escrevo a tese do mestrado e abandono a ficção mais uma vez.

My thoughts are crabbed and sallow.

--Sylvia Plath, "Jilted"

Friday, 27 June 2008

Lá vem o Sol

No dia 23 de Junho, o tempo virou. A partir de agora, a cada pôr-do-Sol, os dias ficam mais curtos, e a noite perde o seu ar de extensão das manhãs. Li esta informação no metrô, numa folha interna de um jornal gratuito abandonado no banco por alguém. De cara me ocorreu a tendência ao negativismo de alguns, um verão inteiro pela frente, os parques, reunião de amigos, churrasco no quintal, e o pensamento lá na frente, antecipando escuridões.

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aqui.

Tuesday, 24 June 2008

Ataque ao romantismo

Eu vejo o caçador, chapéu de cor caqui, entre os matos que cobrem a sua figura da foto. A sua espingarda repete movimentos verticais, compondo uma curva de um gráfico reverso no ar. Segue os pombos que ousam voar e levar as minhas mensagem para ti. O caçador é certeiro. As pombas despencam do céu uma a uma. As cartas de amor que te escrevi, nunca chegarão. Vão se desfazer com a chuva de amanhã, enquanto as pombas apodrecem no chão.

[In English]

All I can see is the hunter’s light brown hat among the bushes. His rifle repeats vertical movements, composing a curve of a reversed graph in the air. It follows the pigeons that dare to fly and carry the messages I have sent to you. The hunter is accurate, skilful. The pigeons fall off the sky one by one. The letters I have written to you won’t arrive. They will dissolve tomorrow when it rains, whilst the pigeons get rotten on the ground.

Sunday, 22 June 2008

Nervos

Já tinha chegado à conclusão final e dado um ponto à frase escrita de caneta preta sobre o papel reciclado e regurgitado por mim outras e outras vezes sobre o romance que não virá. Ensaiei a vida sem ele, o tal romance, e cheguei à conclusão de que a minha criatividade é o meu maior veneno, de que sou capaz de inventar motivos e fazer crescer o que nem houve tempo, pensar projeções muito distantes para aquilo que nunca chegou a ser. Então, me vem este alguém que eu jamais poderia ter criado, que mostra as suas inseguranças para mim, este alguém real que me faz pensar que já sou grande o suficiente para entender que toda emoção à mais é bobeira, e que embora me faça sentir apertos a cada três ou quatros minutos, inibe os meus atos, e me faz querer fazer tudo diferente, sem saber.

Este alguém que não me beijou na segunda noite, que me sorriu, e colocou as mãos muito próximas às minhas, e esteve o tempo todo falante e com o corpo projetado contra a mesa que nos separava num jantar de quinta-feira à noite, mostrando um interesse que eu talvez equivocadamente tenha classificado como mútuo. E eu não soube criar um clima para o beijo, nem à beira do rio Tamisa, quando as luzes artificiais começavam a roubar a cena e o Sol se ia. E eu sempre fui muito bom em criar motivos para um beijo.

Mas talvez, eu, na minha maior rendição perante as lições que o tempo me traz, não tenha tido a iniciativa necessária para forçar a barra, porque eu quis este alguém por perto, mesmo que tudo seja apenas uma amizade que irá me castigar vez ou outra num suspiro da possibilidade que talvez não se concretizará. Eu já gosto tanto deste alguém, mas ainda posso esquecer, sem me machucar, sem cena de cinema, ou o que quer que seja.

Também porque eu sei da eficiência das companhias telefônicas britânicas e aquela mensagem não voltou, e talvez isto seja tudo. Logo agora que eu banquei o investigador e me concentrei em saber quem este alguém era, sem adicionar fatores que só existem na minha imaginação, como qualquer ser humano normal faz, atribuindo valores ao que é relativo, repetindo cenas na sua própria cabeça. E eu me mostrei tão cru, quase como uma frase curta que diria assim, este sou eu, sem algum esforço em realçar qualidades, o charme, na esperança de que este alguém possa gostar de quem sou.

Everybody loves me, that’s what they say. Amigos sempre repetem a frase ‘eu te adoro’, e se é em inglês, sempre escuto, ‘Breno, we love you’. Por isso, pensei que talvez fosse possível agir como adulto, deixar o romance chegar sem pressa, mas me atormenta o fato de não saber ser um pessoa menos urgente, e eu sei que o tempo deles é diferente e coisa e tal, e porque fazendo tudo diferente eu receio não ser eu, quando eu mais quero. Ser um conflito de mim mesmo.

Este alguém que eu adoro e quero por perto, que me fez bem, que me fez pensar que talvez nada seja assim tão complicado, mas simplesmente possível. Mas que me deixa sem saber com agir. E até sem saber escrever sobre o que eu ainda não entendo.

Sunday, 15 June 2008

I’ve got news for you

A caixa de imagens dita as notícias para mim. De repente, após estes quase quatro anos de total reclusão, elas voltam a importar, ficam aprisionadas no meu crânio, ao invés de transpassar de um ouvido ao outro. É um estar estranho dentro de mim. Dou-me conta de que nunca houve este mundo só meu, os fatos lá fora interferem nos meus atos, muda a minha rotina, embora eu as tenha desprezado como se não.

O preço do óleo mais caro, puxa o preço do metrô que não consegue se mover sem a voz eletrônica pedindo desculpa e agradecendo desde já. Quarenta mil pessoas mortas na China me comovem no noticiário, a minha voz interna diz que se deve dar importância. Notícias de guerra. Vejo os acontecimentos e atribuo-me a distância necessária para estar bem. Sim, eu acho tudo muito sujo e vazio. Eu não posso mudar nada.


Encho-me de uma certa arrogância e crueldade, algo que de súbito me assusta, carrega as minhas certezas num baú com a seguite frase rabiscada – não abra. Penso que é preciso centrar-me, vestir-me de uma certa objetividade e seguir. É a primeira vez em muito tempo que seguro o destino pelos cabelos e digo ’é por esta direção que quero ir’.