Tuesday, 25 September 2007

Distrações

Foi preciso tudo isso para saber que não passou de orgulho. Essa pretensa espalhada e diluída nos atos de que eu me basto e suporto o peso das palavras não-ditas.

Sim, teria sido mais fácil pedir ajuda. Acontece que sempre houve uma esperança, ainda que remota, de que você iria entender. Mas não, distraído entre os goles de Vodca, e as suas musicas que só deveriam tocar a noite, mas tocam durante todo o dia, você não viu.

Eu fui lah fora, reguei as plantas no jardim, e voltei para casa com os olhos cheios de lágrimas. Passaram-se 4 meses, talvez cinco, e eu dei de cara com um problema ainda maior. Adiamento, meu bem, eh o pior desleixo que um ser humano pode cometer.

Você perguntou se eu estava triste, eu disse que sim. Você quis saber o porquê. E não havia mais tempo, nem esperança, nem nada. O jardim continuava impecável, a minha maior distração, e tambem o meu desejo pelo não-óbvio.

Eu tive que bater a porta com muita força, arrastando as malas estupefatas pelo chão, perdendo o charme de uma avenida francesa. E de tão bêbado que você estava, sequer articulou as palavras. Não fossem os meus ouvidos treinados, jamais compreenderia a sentença que me libertou.

- Você vai ao mercado? Traz uma Vodca para mim?

Saturday, 15 September 2007

ah, a tristeza

vontade de escrever sentimentalidades

Tuesday, 4 September 2007

Rastros de solidao

Eu acordo sozinho
E passo sabao nas minhas costas
E tomo cafe sozinho
E sou eu quem bate a porta
E vou ao super soh
E almoco sozinho
Falo soh, vou ao cinema comigo mesmo
Leio e nunca escrevo porque escrever me faz sentri soh
E moro com alguem, mas eu moro soh
Eu ando sozinho
E nao converso com estranhos
E pego o onibus, o metro, o trem sozinho
E janto sozinho
E as vezes eu transo comigo mesmo
E as vezes nao
Mas ateh quando durmo acompanhado
Meu bem, eu acordo soh.

Wednesday, 29 August 2007

O passar das..

Porque ontem, apos 4 anos, eu vi ‘As horas’ de novo. E eu moro muito perto de Richmond. E eu ja optei por sair do suburbio e vir para Londres. E porque aquela estacao de trem se parece com a minha, e a minha casa tem um jardim igualzinho a aquele.

E porque houve um tempo em que o Rio Tamisa me fascinava. E porque eu falo sozinho e escrevo um romance que nunca tem fim. E porque as pessoas me acham dificil e meio distraido demais. E tambem por outros motivos que eu nao sei falar.

E porque eu ja quis muito alguem que nao desistisse de mim, e agora eu sou tao bom em me livrar de pessoas que nao desistem de mim. E porque eu tambem ja pensei em desaparcer. E porque eu tambem ja voltei.

E por outras razoes que nao cabem aqui, e pelas linhas que tentam resumir aquilo que voce nao captura. E porque ja nao importa e ja eh noite outra vez.

It' so me!

"It is just that we were always a bit sad. That came more from character than from circumstance, and everyone around me agreed that it was possible to be happy without ceasing to be sad".

Marguerite Yourcenar.

Monday, 20 August 2007

Friday, 17 August 2007

Como catar pedacos dos meus escritos em gavetas esquecidas

O verao ja tah no final. Soh que nao houve verao, soh dias cinzas e de chuva com alguns espasmos de Sol. Guardei os dias e as noites livres para viver a Cidade e de repente, numa curva, numa situacao banal, descobrir que sim, a Cidade era possivel outra vez.

Fui literalmente torrando as minhas suadas economias e me negando a fazer o que nao desejo, eu, um escravo da minha teimosia.

Entao, como quem dah um passo para tras, sem olhar, sem desviar o rosto, tive uma surpresa boa, Aninha. A Cidade me quis, me amou, me disputou e eu tive que morder a lingua, cortar os seus pedacinhos fora e comer num jantar a dois, eu e o espelho. E o espelho era mais bonito que eu. E eu nao o sabia encarar.

Os meus ex-empregos todos me quiseram de volta. E o meu ex-amor me convidou para jantar. E eu conheci um outro-alguem que mora uma hora de trem da minha casa e que me diverte tanto, mas para quem eu nunca ligo, eu rezo para que desapareca, mas continua ligando.

Eu ando numa fase em que tudo se parece com um sim, qualquer som interrompido que formaria uma outra palavra, qualquer intervalo de si. Eh engracado, tudo que eu queria era um amor do passado, como catar pedacos dos meus escritos em gavetas esquecidas. E agora, eu nao quero nao.

Contento-me com a desilusao de saber-me soh e estar bem. Aberto, livre, na contra-mao daquilo que nos eh transmitido por geracoes, e passa nos cinemas e a gente acredita.

Ando como a Natalie Portman, na cena final de Closer – se voce for capaz de pensar em mim; como se a rua sorrise linhas brancas no chao para mim. Soh que ainda estou por aqui.

Por enquanto.
Bjos.